CLICK. Nintendo CLICK.

Aproveitei o feriado, uma grana extra e a queda de preço para comprar o Nintendo Switch. Ainda falta muito para sair Splatoon 2 (21 de julho), mas vida de autônomo é assim: se não aproveitar os meses “gordos” para fazer essas coisas, o dinheiro pode acabar escoando pelo ralo com coisas menores. E depois de passar algumas horas com o Switch, vale deixar registrado algumas primeiras impressões.

CLICK. CLICK. CLICK. CLICK.

Logo de cara, uma coisa besta chama a atenção. Você lembra do som característico de clique usado em todos os trailers, apresentações e peças de marketing do Switch, certo?

Pois é. Saibam então que esse som é efetivamente usado no menu do aparelho, para começo de conversa. Aí você encaixa os joycons, e cada um faz um “click!” não tão diferente assim. Mesma coisa quando encaixa o console na base para a TV, ou os joycons no grip que transforma o conjunto em um controle “normal”. É muito click, click, click, e cada vez remete ao som acima. Não, isso não é ruim – só demonstra como o marketing da Nintendo, dessa vez, acertou tanto que soube capturar a experiência e o conceito do aparelho até em forma de som.

Não é magia, é tecnologia…

…mas olha… Se dissesse que era magia eu não ficaria tão surpreso. Uma coisa é assistir um vídeo mostrando a transição quase instantânea da imagem da tela do console para a tela da sua TV; experimentar isso ao vivo é outra coisa completamente diferente.

É tudo realmente muito prático: você está com o console em mãos, jogando no banheiro ou seja lá onde for, e aí resolve sentar no sofá para jogar na TV. Todos os seus instintos gritam que você precisa desligar o aparelho primeiro… Mas é só desencaixar os joycons (CLICK, CLICK!), encaixar o pseudo-tablet na base (CLICK) e, antes de sequer dar um passo para trás na direção do sofá, o jogo já está na sua TV. Em poucos segundos os joycons estão no grip (CLICK, CLICK!) e pronto, você está sentado jogando, exatamente no ponto onde você parou – talvez em menos tempo do que levaria para pegar seu controle de PS4/Xbox One/Wii U, esperar o sistema iniciar e abrir um jogo qualquer.

É um troço mágico e prático demais, tanto que nem liguei meu PS4 ontem, apesar de Persona 5Mass Effect. O ponto é esse: deu preguiça. O Switch passa essa impressão de que você não precisa largar dele, não importa aonde você for.

Pequenino como um botão de flor

Muita gente já apontou aí como a caixa do aparelho é menor do que uma caixa de sapato (imagine uma um pouco mais baixa), mas não vi tantas pessoas destacando a real vantagem: o tamanho do conjunto em uso. Mesmo junto com a base (CLICK!), o Switch é uns 30% menor que um receptor padrão moderno de TV a cabo ou um Wii original. Por mais que não seja tão poderoso quanto um PS4, é bem agradável poder colocar embaixo da sua TV um console “de mesa” que ocupa tão pouco espaço.

Uma preocupação que eu tinha era o tamanho dos botões e do controle “montado” (joycons + grip, CLICK!), ainda mais por ter mãos grandes. Podem ficar sossegados: tamanho aqui não é documento, e o grip não é tão menor que um Dualshock da vida a ponto de deixar suas mãos desconfortáveis jogando. Ainda não usei extensivamente os joycons em separado, no formato “controles de Wii”, mas também não tenho nenhum jogo que demande isso. Vale dizer que você ainda pode continuar usando o grip normalmente mesmo no “modo tabletop”, com o Switch em pé em cima de uma mesa.

Evitando os percalços iniciais de hardware

O lançamento do Switch pode ter sido um sucesso de vendas, mas teve seus problemas. Como não usei os joycons isolados, evitei a possibilidade de encaixá-los (CLICK!) nos “trilhos” trocados – aquelas peças com as alças de punho, e que ficam difíceis de tirar se você encaixou (CLICK!) a do joycon esquerdo no joycon direito. Na real, nem tirei os trilhos do plástico ainda, e quando o fizer, já estou “vacinado”. Também já comprei o aparelho com uma película para evitar arranhões na tela, e mesmo assim tenho a impressão que o espaço da base está amplo o bastante para desconfiar dos relatos; é só encaixar (CLICK!) com cuidado. Por fim, se o meu Switch for da primeira tiragem, que podia vir com problemas de conectividade no joycon esquerdo, não fui “premiado” com isso: os controles estão funcionando normalmente.

Resta agora torcer para não ver “dead pixels” nem outras falhas de tela e de sistema, e já deixo uma dica: embora alguns casos fossem defeito de fabricação sim, outros foram causados por travamentos ao entrar ou sair do sleep mode. Na dúvida, estou sempre desligando o Switch por completo, evitando usar esse modo. Como o console inicia tão rápido, nem há muito sentido de deixar ele suspenso, a não ser talvez para atualizações automáticas. O único incômodo real é que, apesar da base ter duas portas USB, o Switch ainda não oferece suporte a HD externo (pen drives estão prometidos), apenas a cartões microSD no próprio console.

Nem parece sistema operacional da Nintendo

Por mais que tenha visto alguns vídeos do Switch em operação, é gratificante demais perceber que a Nintendo finalmente aprendeu uma série de lições de sistemas operacionais como o do PS4 e de celulares/tablets, em termos de simplicidade e rapidez (Microsoft, sua vez agora!). Mesmo vindo de um desligamento completo (não do sleep mode), o sistema ainda inicia mais rápido do que qualquer outro portátil, tem navegação entre itens bem acelerada, abre jogos muito rapidamente e, acredite se quiser, a eShop carrega na metade do tempo do que no Wii U.

update do sistema, então, foi fora de série: entre baixar o arquivo, instalar e reiniciar o aparelho, não chegou a um minuto no total. Um PS4 ou Xbox One demoraria isso só para reiniciar. A comparação pode não ser justa já que o Switch ainda é um portátil, mas mesmo assim… É a Nintendo. Não havia garantia nenhuma de que tudo fosse ser tão ágil. É só lembrar de como o sistema operacional do Wii U era lentíssimo nos dois primeiros meses, mesmo em um aparelho mais potente do que um PS3 ou Xbox 360.

Tá achando que acabou? Então segura essa: com o Switch, a Nintendo não só aprendeu a lidar com múltiplos usuários na mesma máquina, como achou uma solução que pode até inspirar a concorrência. Ao ligar o aparelho, você não precisa escolher um usuário para iniciar o sistema; a tela principal é carregada de imediato e todos os usuários registrados aparecem no canto superior esquerdo, como se já estivessem logados. Você escolhe qual usar apenas quando necessário – por exemplo, ao entrar em um jogo ou abrir a eShop – e não precisa digitar a senha a cada escolha. Tudo para acelerar o começo da sua jogatina, sem complicar.

(Em tempo: para pais e outras pessoas que dividem o aparelho e temem compras indevidas, é possível configurar cada usuário para pedir a senha sim ao entrar na eShop. Isso sem falar nos Controles para Pais com funcionalidade remota, como já divulgado.)

Falando em eShop, aviso aos navegantes “brazucanadenses”

Quem já tem 3DS ou Wii U e prestou atenção deve ter pensado… Se a eShop pede que você escolha o usuário ao entrar, então é possível criar usuários diferentes para países diferentes? É sim, e lembre-se que o Switch é region-free. Você pode comprar jogos em qualquer eShop existente, desde que ache um jeito de colocar dinheiro ou registrar um cartão de crédito naquela conta. O Wii U já permitia algo semelhante, mas além do processo de trocar de usuário ser bem mais longo, o console bizarramente pedia que você trocasse o país nas configurações do aparelho também. No Switch, você cria/registra uma conta para cada país que quiser e acabou: é só escolher qual conta usar na hora de comprar na eShop.

Resta ainda o problema de conseguir pagar pelas coisas, claro. Um truque básico dos usuários de Wii U é criar uma conta canadense, já que no Wii U a eShop de lá aceita qualquer cartão de crédito internacional, mesmo que o endereço de cobrança seja brasileiro. Basta escolher um estado do Canadá, inserir um CEP do mesmo estado e voilá, o cartão funciona em qualquer compra. Infelizmente, no Switch parece que a Nintendo sacou o truque e resolveu incluir a verificação do CEP inserido com o do endereço do seu cartão de crédito; não consigo pensar em outro motivo para o console recusar o mesmíssimo cartão que uso no Wii U desde sempre.

Em resumo, a eShop parece funcionar agora do mesmo jeito que as lojas da PSN ou da Live: se quiser comprar em contas de outros países, você vai precisar de cartões da eShop do país em questão e inserir os fundos na sua conta Nintendo. Em compensação, uma vez que o jogo é instalado, não é necessário reiniciar e nem mesmo entrar em uma tela de login para outro usuário, como no PS4 ou no Xbox One: inicie o jogo, escolha a sua conta principal no prompt e já era. Claro que eu preferia ter a opção de comprar direto no crédito, mas considerando a forma enxuta e rápida que o Switch emprega para lidar com diferentes contas/usuários, dá para abrir mão disso sem muita dor no coração.

“O ‘Nintendo Vita’ não tem jogos”

A nota relativamente triste do Switch tem a ver com os jogos disponíveis. Mesmo com quase dois meses do lançamento, a eShop tem um total de 41 títulos – isso incluindo todos os ports/versões de Wii U, como Mario Kart 8 Deluxe Lego City Undercover, um bom punhado de relançamentos do Neo Geo, e outro punhado de indies que saíram em várias plataformas há tempos, como The Binding of IsaacLittle InfernoWorld of Goo.

Em comparação, o PlayStation VR, um mero acessório, saiu com 50 jogos na “janela de lançamento”; já o Vita, que era apenas um portátil e tinha que dividir as atenções dos estúdios da Sony e de terceiros com um PS3 ainda no mercado e um PS4 chegando, saiu com cerca de 35 títulos no mesmo período. O Switch chegou como novo console principal da Nintendo, com o Wii U oficialmente morto e muito menos lançamentos no ano anterior. Não era nenhum absurdo esperar que houvessem mais opções a essa altura – todo mundo achava que esse era o motivo da “seca” no Wii U e, em menor medida, no 3DS.

Mesmo que você compare com outros lançamentos de consoles anteriores, que chegaram com muito menos que 35-40 jogos (ao contrário do senso comum, o Vita é o console PlayStation que teve mais jogos no lançamento), releia o começo do parágrafo anterior e perceba que quase tudo digno de nota no aparelho já saiu em outro lugar – até o jogo-chave, The Legend of Zelda: Breath of the Wild, saiu para o Wii U também. Para quem vem do console principal anterior da Nintendo, é um tanto difícil achar algo novo para comprar na eShop. Por outro lado, quem não teve o Wii U já tem bastante opções enquanto ARMSSplatoon 2 não saem; só ZeldaMario KartLego City (que lembrem-se, é extenso e de mundo aberto) garantem centenas de horas de bom jogo.

E aí entra outra coisa interessante: esse papo todo lembra o Vita na sua “segunda fase”, quando as produtoras terceiras desistiram de fazer jogos AAA para ele. Daí nasceu o senso comum “o Vita não tem jogos”, mas na real, as pessoas não estavam entendendo o ponto do console: era um portátil com integração direta aos consoles “de mesa” da Sony. Você pode reclamar o quanto quiser de como X jogos também saíram no PC ou sei lá onde, mas o aparelho existe para você ter a possibilidade de jogá-los no metrô, na cama, no banheiro… E com o bônus de poder continuar jogando alguns de onde parou no seu PS3 ou PS4. O Switch, então, cumpre o mesmo papel com vários outros bônus: “transferir” a jogatina para a TV instantaneamente, sem baixar duas ou três versões do mesmo jogo em aparelhos diferentes, sem sincronizar/fazer transferência de saves… E o principal, sem precisar ter outro console.

É por isso, inclusive, que não tive medo de já comprar o Switch mesmo sem Splatoon 2 e nenhum jogo físico: há opções digitais interessantes, ainda que poucas para quem já jogou quase tudo em outras plataformas. Aproveitei que ainda não tenho os DLCs de Shovel Knight e peguei o pacote completo, Treasure Trove, no Switch, além de finalmente conhecer Metal Slug 3 e poder jogar o recém-lançado remake de Wonder Boy 3 em uma plataforma bastante apropriada e flexível, não apenas “preso à TV” em um PS4. E ainda tenho Snipperclippers e Fast RMX para conferir assim que der. Se você não é um consumidor compulsivo como eu, ainda vai ter outro punhado de indies recentes que talvez não tenha experimentado antes para jogar no Switch.

Assim como no caso da biblioteca do Vita, tudo é uma questão de perspectiva e oportunidade. A eShop do Switch pode não ser atraente para você agora, dependendo do que já jogou por aí, e talvez a Nintendo devesse ter se esforçado um pouco mais… Mas considere o que o aparelho é. Se o Vita já era interessante pela liberdade de onde e quando jogar, o Switch “dobra a meta” ao remover todos os entraves (exceto talvez o preço salgado de casos como o de The Binding of Isaac, a absurdos 40 dólares). E quando o Virtual Console chegar… Aí a coisa pega. Só espero que a Nintendo esteja atrasando isso para oferecer os mesmos tipos de opções dos ports de Neo Geo, que são bastante completos em termos de filtros retrô, customização de controles e da tela, save states, manuais digitais e outros recursos modernetes.

Com o sucesso de vendas no lançamento, duvido que essa biblioteca digital não engorde bem com o tempo (títulos AAA em “cartucho” são outra história, vamos ver). E enquanto isso, a pura magia do CLICK! já faz valer a pena rejogar clássicos recentes como Shovel Knight, ainda mais com conteúdo novo recém-lançado e a caminho.

Eu quero é mais CLICK!

No geral, estou bastante satisfeito com o aparelho: imaginar que ele custa meros 300 dólares para um morador de país desenvolvido, então, explica o alvoroço todo. No começo, 300 parecia um pouco no limite para um console portátil, mesmo um que pode virar “de mesa”… Mas a magia da transição impecável, de poder usar um console em três modos diferentes em rápida alternância, e a facilidade de encaixar peças rapidamente sem sacrificar nada do conforto acaba justificando rapidinho a diferença de preço. Na verdade, ele fica com cara de barganha, se você não for tão dependente de jogos AAA.

Que venha mais CLICK!

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